
Caro leitor, este post pode soar um pouco estranho ou incomum ao conteúdo que você está acostumado a ler por aqui, mas como aqui também falamos de arte e cultura e por ser um grande apreciador da street art e do graffiti, venho aqui expressar algumas palavras sobre a cobertura de algumas pinturas na cidade de São Paulo, que vêm acontecendo desde que a lei Cidade Limpa foi implantada.
Antes de mais nada, deixe me explicar o que ocorre: com a lei, que entrou em vigor em janeiro de 2007, ficou proibida qualquer forma de publicidade exterior na cidade de São Paulo, e como o objetivo da lei é tornar a cidade mais bela visualmente, outdoors e grandes fachadas foram retirados, assim como algumas pinturas, leia-se pichações e graffitis, foram apagadas dos muros, cobertas por tinta cinza.
Até certo ponto, eu concordo com a lei, pois a cidade realmente tem, em muitos locais, um aspecto sujo e degradante, que precisam receber cuidados. Mas o problema é quando alguns limites são extrapolados, como no caso que aconteceu no início do mês, onde a empresa contratada para apagar pichações de áreas públicas, confundiu o mural de 680 metros, feito pelos artistas osgemeos, Nina, Nunca, Vitché e Herbert Baglione, na alça de acesso da 23 de Maio ao elevado Costa e Silva, com pinturas ilegais e acabou cobrindo todo ele de cinza.

fotos por [fran]
O que agrava ainda mais a situação, além do sumiço de uma das obras, que na minha opinião, enfeitavam a cidade, é que o mural foi pintado em 2002, com a aprovação da própria prefeitura em projeto do coordenador da juventude, Alexandre Youssef, que sobre o ocorrido comentou: “Houve total apoio da prefeitura. Havia, inclusive, a logomarca do município no painel, apagada pela gestão seguinte. É uma lástima”.
“É desrespeito. A gente pinta castelo na Escócia, a Prefeitura de Nova York nos chama para fazer um painel lá. Somos respeitados e conhecidos no mundo todo. Aqui, em nossa casa, não”. (Otávio Pandolfo, osgemeos)
“Estou indignado e aviso que terá retaliação. Não apagaram um mural, apagaram parte da história da arte paulista. A prefeitura precisa se desculpar publicamente”. (Nunca)
“Até que ponto a arte é uma sujeira para ser combatida com uma Lei Cidade Limpa? Arte suja a cidade?”. Para ela, “São Paulo já não tem horizonte, só prédios. E eles são em tom de cinza, amarelo ou branco. Quando a gente coloca cor na parede, abre um horizonte”. (Nina)
“…Vai vendo como o povo é enganado… O cara cria essa campanha mas só limpa graffiti e outdoor, e o resto? Varrer a sujeira pra debaixo do tapete é fácil né? Pois é, assim o povo não vê…” (Zezão, versão completa)
O que me motiva a escrever não é só esta ação ocorrida no mural, mas são as proporções que os muros cinzas vem ganhando. Cada vez mais a cidade está recebendo a tinta em suas paredes, que assim como apagou o belo trabalho no mural, já apagou também uma série bem extensa de pinturas feitas por diversos artistas no muro que fica ao lado da estação Brás de metrô/trem, e muitos outros trabalhos pela cidade.
Portanto, o que tenho a dizer é que a prefeitura devia se preocupar mais em limpar as partes da cidade que realmente precisam ser limpas, e valorizar um pouco mais as obras que se espalham cada vez mais pela cidade e pelo mundo. E para terminar, desde a primeira vez em que vi a cor cinza que eles utilizam para “limpar” a cidade, me veio a mente uma cena do seriado Os Simpsons, que você confere abaixo. Não vou nem comentá-la, pois acho que o vídeo diz o que penso por si mesmo (apenas troque o azul pelo cinza). Assista:
Este artigo fala sobre algo que penso já há algum tempo, mas que resolvi escrever principalmente após ler o relato do artista Mundano no Blue Bus, falando sobre o ocorrido no mural, e também sobre sua batalha pessoal contra a prefeitura, que pode ser conferida no FlickR dele.
*Obs: apenas para esclarecimento, o Direto do Forno não é a favor e nem contra a prefeitura atual e seus candidatos, assim como qualquer outro político concorrente, apenas defendemos a arte nacional representada, no caso, pelo graffiti.
Ainda aproveitando as comemorações e homenagens aos 454 anos da cidade de São Paulo, o Jornal da Globo fez um convite ao produtor musical Jô Borges e o repórter cinematográfico Wellington Almeida, para criarem uma trilha sonora feita a partir dos ruídos da cidade.
E, acompanhados pelo operador de áudio Massaro Yamaguchi, eles saíram pelas ruas de São Paulo para captar sons que você ouve todo dia e que talvez nunca tenha imaginado que podem virar música. O resultado final é a Suíte SP 454, editada por Toninho Asa, que ficou muito legal. Confira abaixo:
Veja também o Making-Of.

São Paulo é pai, é mãe, é amigo, é irmão, é paixão, é ódio. São Paulo é uma cidade única. Não pára nunca, não tem tempo pra nada, está sempre pra cá e pra lá nos deixando confusos com tantas opções. É uma cidade cinza, feia, mas tem lá seus encantos, seus cantinhos charmosos, sua diversidade interessante, seus altos e baixos. É acolhedora e sempre cheia de oportunidades. Vive-se aqui anos e sempre é possível encontrar pequenas surpresas escondidas nos cantos mais remotos. É pobre, é rica. É uma cidade de muitos paradoxos, por isso seu eterno encanto…
…São Paulo me enlouquece, me enrusbece, me derrete, me encanta. Não é apenas dual, é mais que isso, pois é cheia de incertezas. Às vezes se comporta como gente grande, às vezes parece uma criança. Pode ser sensata, às vezes um tanto ingrata ou mesmo mimada. Tudo é longe e ao mesmo tempo tudo é perto…
…Muita gente diz que odeia, mas não cogita sequer sair daqui. Com todas as suas loucuras, eu prefiro perceber os seus encantos e me deleitar neles.
São Paulo, parabéns!
É com trechos do texto acima, escrito pela Lalai para o blog De Babel para Babel, criado pela agência Babel para reunir homenagens a cidade, que começo o post sobre o aniversário da maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo, São Paulo, que completa 454 anos de história.
E pensando nisso a Prefeitura, inciativas privadas e ONGs oferecem diversas atividades para que os paulistanos e os amantes de nossa cidade possam desfrutar e aproveitar de tudo que temos de melhor. Serão shows, exposições, passeios, oficinas, cursos, aulas, festas, baladas, muito mais e também, como não poderia faltar, o já tradicional bolo de aniversário da cidade, que neste ano vem com sabor de laranja e baunilha coberto por uma tonelada de marshmallow e 150 quilos de confeitos distribuidos em 454 metros de comprimento, que será devorado em poucos segundos por milhares de pessoas no bairro do Bixiga, a partir das 11h.
E para organizar todas as atividades disponíves, a Prefeitura lançou no site Cidade de São Paulo, uma seção especial, contendo 454 maneiras de se divertir na cidade.
Nele, as dicas estão separadas nas seguintes categorias:
Aniversário - Arquitetura - Bar & Boteco - Bem-Estar - Carnaval - Cinema - Compras - Cultura - Esporte - Família - Gastronomia - GLBT - Glamour- História - Hotelaria - Negócios - Religião - Romance - Teatro e Verde
E aqui você pode baixar a programação completa em PDF.
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Ainda aproveitando as comemorações, o programa Metrópolis da TV Cultura vai exibir nesta sexta, 25, uma série de vídeos produzidos em homenagem a cidade, feitos com câmeras de celulares.
O primeiro trabalho, que você confere abaixo, é entitulado “Rios de Paulo”, e foi produzido pela videoartista Giselle Beiguelman, que usou imagens de rios que cortam a cidade e os significados de seus nomes.
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Agora, aproveite tudo que a cidade oferece e comemore os 454 anos de São Paulo.

Começa hoje na Galeria Plastik a mostra “Made in China”, que conta com os artistas plásticos André Monteiro “Pato”, Felipe Yung “Flip” e Thais Beltrame, exibindo suas xilogravuras, serigrafias e gravuras em metal, respectivamente. É abordado por todos os artistas a reprodutibilidade, freqüentemente encontrada na indústria e na cultura chinesa.
Os artistas que participam da mostra venderão todas as gravuras na Galeria Plastik. Acho que é uma mostra bem interessante e que vale dar uma olhada ainda mais após tudo o que a mídia está publicando a respeito da censura na China (país que será sede dos jogos olímpicos do ano que vem e que promete não censurar a imprensa internacional no quesito dos jogos, mas se o assunto for política e economia do país, provavelmente haverá problemas), a mostra serve como uma face da realidade do país, que infelizmente muitas vezes chega aos nossos olhos.
MADE IN CHINA
Felipe Yung “Flip”, André Monteiro “Pato” e Thais Beltrame
Quando: 06/11/07 a 20/01/08
Onde: Galeria Plastik; Rua Dr. Melo Alves, 459, São Paulo - SP
Horário: seg. à sex. das 11 às 20hs, sáb. das 11 às 19hs
+ Informações: www.plastiksp.com.br